Mais um ano pra conta

Imagem: Chris Thompson/Unsplash

Como pensar no amanhã quando nem o hoje temos a certeza de sobreviver? Tantos planos foram colocados de lado ao longo desse ano e substituídos de um jeito torto, mas ainda assim, com muito esforço e cuidado. Sair, aventurar-se pelo mundo afora já não era mais nossa realidade. Foi preciso parar. Respirar. Ou pelo menos tentar, por mais difícil que fosse enquanto do lado de fora tudo parecia desmoronar. 

No momento em que trancamos a porta da rua, isolamo-nos de um mundo exterior em colapso para encontrar um interior ainda mais bagunçado. A correria de um dia a dia lotado de compromissos nem sempre permitia o “respirar”, o olhar para dentro e se escutar. A gente absorve tanto a negatividade emitida por terceiros, ouvimos tantas palavras grosseiras e colocamos tudo para dentro, como um saco de lixo sem fundo. 

Chega uma hora que todo esse sentimento ruim apodrece e a gente precisa colocar para fora. E acredito que foi algo que fizemos de monte ao longo do ano, mesmo que tenha sido de maneira forçada. Pela primeira vez em muito tempo, pudemos olhar mais para dentro e entender o que estava escondido debaixo dessa pele que enfrenta sol e chuva diariamente.

Os “coaching” da vida falam tanto sobre autoconhecimento e a importância desse aspecto para o andamento de qualquer projeto nosso. E por mais caótico que o contexto seja, foi um oportuno momento para repensarmos nossas ações, sentimentos, sonhos e projetos para o futuro, ainda que bem incerto. 

E para além da filosofia de se conhecer, o ato de se cuidar foi ainda mais levado em conta. Nosso corpo frágil sempre precisou de cuidado e agora, sem dúvidas mais. Álcool em gel pra lá, máscaras de todas as cores pra cá. Mas não só de corpo somos feitos, nossa mente e alma também precisam de um tratamento especial. O mundo exterior já está podre demais para sermos facilmente contaminados. Logo, proteger e cuidar de nosso bem interior é de fato um importante passo para lidar com o caos lá de fora.

Imagem: Erin Agius/Unsplash

Longe estamos de romantizar esse ano caótico que tivemos. Foi e continua sendo assustador. Para mim, por exemplo, que adora estar sob o controle de tudo ao meu redor, viver tendo a certeza que o descontrole e a incapacidade de conter o caos era uma certeza, só piorava ainda mais a sensação de enfrentamento de uma pandemia. 

“Já parou pra pensar o quanto pra muita gente, continuar existindo por si só, já é resistir?” Escutamos essa frase ser dita por Janete em Bom Dia, Verônica, uma série nacional lançada na Netflix neste ano. E sim. A gente já vive uma constante competição seja na vida social, acadêmica ou profissional, e ainda assim, parece que tudo isso se intensificou em meio a uma pandemia. Chega, sabe? Precisamos ser muito sinceros quanto a isso: a gente só quer resistir e sobreviver.

Enquanto mais de 1,7 milhões de vidas se foram ao longo do ano, por conta de um vírus letal, chegar vivo após 10 meses vivendo o caos, já é uma vitória e tanta. Chegamos ao ponto de nos sentirmos privilegiados por não termos perdido nenhum ente querido… Que mundo é esse que estamos vivendo? É desesperador.

Quando eu era pequena, eu tinha um livro que quando folheado de cabeça pra baixo, era possível visualizar um conteúdo totalmente diferente daquele visto ao ler da “maneira correta”. E sabe, parece muito com o que enfrentamos ao longo deste ano. A gente tenta fazer uma retrospectiva e parece que ela está em constante mudança. Alguns acontecimentos somem da nossa mente e são substituídos por outros momentos. E horas depois, as sensações mudam de novo. 

Imagem: Abbie Bernet/Unsplash

No meio de toda essa imprevisibilidade, incerteza e desilusão com a própria vida, fomos obrigados a nos adaptar. Absorver o que era jogado em nossas costas e tentar aguentar o peso dos problemas, cuja solução, em sua maioria, não estavam nem perto dos nossos dedos. 

Chegar a reta final deste ano é como se livrar desse peso. Aquela ilusão de que a virada do ano é, de fato, um portal para uma nova vida, deixando pra trás tudo o que esse ano trouxe. Infelizmente, estamos longe de acreditar numa nova fase desse “jogo” que parece não ter fim. Quando vimos, já estávamos presos e sem mapa algum para nos tirar daqui.

Contudo, por mais cansativo e sem esperanças, para sermos bem sinceros, estejamos no momento, é preciso encarar e acreditar que algo de bom há de acontecer. Não desista de seus sonhos. Continue acreditando e trabalhando para que eles se tornem realidade. Invista em você, seja comprando aqueles itens da sua lista de desejos do seu site favorito; pedindo aquela comida deliciosa no aplicativo; ou passando o dia inteiro maratonando aquela série boba, que ninguém gosta, mas você ama. 

Tire esses últimos dias para colecionar momentos de prazer. Coloque-se em primeiro lugar. Faça o que seu corpo e mente precisam para estarem minimamente bem. Se você acredita em superstições para a virada, planeje-se, faça o que tiver que fazer para atrair só energia positiva para sua vida. Livre-se daquilo e daqueles que só te colocam pra baixo. 

Imagem: maxime caron/Unsplash

Feche os olhos e sonhe. Acredite que você pode voar, por mais que as pedras dificultam esse processo. Não desista de você e daqueles que tanto ama. E claro, não se esqueça: álcool em gel, máscara devidamente colocada e evite aglomerações. Coloque-se em primeiro lugar, mas não seja egoísta, principalmente num ano como este. 

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