Dica de leitura: BTK Profile: Máscara da Maldade

Dennis Lynn Raider era um marido devoto, cristão fervoroso, pai dedicado e trabalhador da região de Wichita, Kansas. Esses adjetivos, arrisco dizer, não são aqueles como qualquer pessoa imaginaria um serial killer. Certamente, não o FBI os atribuiu ao autodenomidado BTK – bond (amarrar), torture (torturar) e kill (matar) – homem que matou cerca de dez pessoas entre 1974 e 1993, e que foi pego somente em 2005, três décadas após seu primeiro assassinato.

Seu modus operandi era claro: perseguir uma vítima por dias, e descobrir se ela morava sozinha, quais horários esperava visitas, quando chegava do trabalho, quando saía para estudar… Depois de escolhida a vítima ideal (que, vale ressaltar, não era classificada por nenhum tipo de traço físico), invadia sua casa, cortava a linha telefônica e aguardava até que pudesse atacá-la.

A primeira vítima de Raider foi Josie Otero, menina de onze anos. Ele a observou por dias, até se sentir seguro de sua rotina e invadir sua casa. Metodicamente organizado, esperava ser extremamente bem sucedido. Entretanto, acabou matando toda a família por conta de um simples acidente que ocorrera com o pai de Josie.

Ainda não havia se denominado BTK, mas já dominado por ele, enforcou Josie Otero e deixou seu sêmen no corpo morto da menina. Apesar de tamanha prova, a ciência forense era pouquíssimo desenvolvida naquela época, e Dennis não se preocupou por muito tempo em ser preso. Pelo contrário, foi ali que ele soube que não conseguiria mais manter aquela versão de si mesmo esquecida.

6 Fatos perturbadores sobre o assassino BTK | DarkBlog | DarkSide Books
Imagem: Reprodução | DarkBlog – DarkSide Books

Como se não bastasse um assassino com um perfil difícil de decifrar – e, com difícil, quero dizer impossível… o serial killer, veja bem, deixava de matar para cuidar de seus filhos recém-nascidos -, os erros de investigação foram ilógicos. Houve perda de fotos da cena do crime e autópsia, policiais que tiveram a audácia de usar o vaso sanitário e encher um copo de água com gelo numa cena de crime. Absurdos que, certamente, auxiliaram que BTK tivesse 30 anos de liberdade após crimes tão terríveis.

E, como se ainda não bastassem os erros policiais, os jornalistas pareciam mais interessados em divulgar os crimes do que auxiliar o FBI e a polícia local nas investigações. E com a divulgação, o homicida aqui descrito se tornava confiante e seu ego se inflava. Chegou a se comunicar com Wichita Eagle, perguntando quantas pessoas ainda teria que matar até que seu nome fosse divulgado para a população.

Foi somente quando o chefe da investigação se tornou a face com a qual BTK poderia se comunicar, que as coisas finalmente começaram a andar para que ele fosse capturado. Ele já era mais velho, mais descuidado e cometeu o erro soberbo de confiar nas informações de quem o estava tentando prender. Em 2005, finalmente, o terror de Wichita fora pego. Em seu julgamento, se mostrou ainda mais excêntrico do que se poderia imaginar. Ali, tudo foi explicado: as máscaras, fotografias e desejos.

BTK Profile: Máscara da Maldade não é uma leitura fácil. Por diversas vezes me vi deixando o livro de lado e me perguntando como tantos acontecimentos podem ocorrer em favor de um patife como aquele. Em vários momentos, me senti na pele dos investigadores, frustrada, amedrontada e infeliz… Me imaginei como moradora de Wichita, preocupada em verificar minha linha telefônica sempre que chegasse em casa. Mas, sobretudo, senti a vitória de Landwher e sua equipe, quando enfim, mais um monstro foi posto atrás das grades.

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